Contabilidade para Área da Saúde

Reforma tributária para médicos: o que muda e como se preparar

A reforma tributária para médicos vai alterar o jeito como você paga impostos, recebe pelos seus atendimentos e organiza o financeiro da sua empresa.

O novo modelo vai unificar tributos, mudar a forma de emissão das notas fiscais e criar uma lógica diferente de cálculo e recolhimento.

Mesmo mantendo o Simples Nacional, médicos PJ e clínicas precisarão adaptar contratos, revisar preços e repensar a forma de trabalhar com o caixa.

O Assecon é um escritório de Contabilidade para a área da saúde e vamos ajudar você a entender quando as mudanças começam a valer, como o novo sistema vai funcionar e o que fazer para não perder rentabilidade no processo.

Quando a reforma tributária começa a valer para médicos e quais etapas estão previstas?

A transição começa em 2026 e vai acontecer em etapas.

O sistema atual e o novo modelo vão conviver por alguns anos, até que a mudança seja completa.

O cronograma previsto é o seguinte:

  • 2026: Início da transição, com destaque do IBS e da CBS “por fora” nas notas fiscais, ainda com alíquotas simbólicas. Nesta fase, o objetivo é apenas testar o sistema, sem impacto financeiro real.
  • 2027 a 2032: Período de convivência entre os dois modelos. As empresas continuam recolhendo ISS, PIS, Cofins, ICMS e IPI, mas começam a aumentar gradualmente o peso do IBS e da CBS.
  • 2033: Consolidação do novo modelo. IBS e CBS passam a substituir completamente os tributos anteriores.

Durante esse período, médicos e clínicas precisarão operar com dois modelos de tributação ao mesmo tempo, o que exige ajustes em sistemas, contratos e planejamento ainda antes de 2026.

O que muda na forma como os médicos vão pagar impostos com a reforma tributária?

A principais mudanças da reforma tributária para médicos são:

1) O dinheiro do imposto não vai entrar mais na conta bancária do médico

Com a reforma, entra em cena o split payment, um modelo em que o pagamento é automaticamente dividido entre o prestador e o governo.

O hospital ou paciente faz um único pagamento, mas o sistema separa o valor do imposto antes mesmo do dinheiro cair na sua conta.

Imagine que você emita uma nota de R$ 10.000,00 e sua tributação efetiva seja de 6%.

Nesse caso, R$ 9.400,00 entram na sua conta e R$ 600,00 vão direto para o fisco.

O total pago pelo contratante continua o mesmo, mas o fluxo muda completamente.

O valor que entra na sua conta passa a ser o faturamento líquido real, e é sobre ele que você precisará organizar o seu controle financeiro, caixa e precificação.

2) Médicos do Simples Nacional podem precisar mudar de regime tributário

Hospitais e clínicas vão preferir contratar empresas que gerem crédito tributário, já que o novo modelo permite que eles abatam esses créditos dos próprios impostos.

As empresas do Simples tradicional não geram crédito, o que pode prejudicar sua competitividade.

A boa notícia é que surgirá o Simples por fora (ou Simples Híbrido).

Nele, você continua no Simples, mas recolhe IBS e CBS fora do DAS, o que permite gerar crédito para o contratante.

3) Pode ser necessário reajustar preços e contratos

Com o novo sistema de pagamento fracionado, o dinheiro do imposto não vai mais passar pela sua conta.

Com isso, o valor líquido que você enxerga como receita vai mudar.

Se seus contratos não forem atualizados, você pode acabar mantendo o mesmo preço bruto, mas com menos dinheiro disponível no fim do mês.

Por isso, é importante revisar valores e cláusulas antes da transição

Hospitais e clínicas também terão que adaptar seus contratos, e o ideal é que tudo fique claro: quanto é honorário, quanto é imposto e qual será o valor efetivamente recebido.

4) O controle financeiro precisará ser reformulado

A partir da reforma, você vai lidar com três valores distintos:

  1. Faturamento bruto (valor total da nota);
  2. Imposto destacado (IBS e CBS);
  3. Valor líquido recebido (após o split payment).

Isso vai exigir ajustes em softwares, relatórios e conciliação bancária.

Sem essa separação, será impossível entender quanto você realmente ganha e quanto é tributo.

5) A contabilidade passa a ter papel ainda mais estratégico

Com o novo sistema, o contador será o responsável por simular cenários, projetar custos e indicar o regime mais vantajoso para cada situação.

A escolha entre Simples tradicional, Simples por fora ou Lucro Presumido vai depender do perfil de faturamento, dos tipos de contrato e de quanto crédito tributário cada modelo gera.

Ter uma contabilidade especializada em profissionais da saúde será essencial para se adaptar com segurança e continuar competitivo em um mercado que também vai mudar suas regras.

A reforma tributária vai aumentar ou reduzir os impostos dos médicos?

Depende de como você atua hoje.

Se você tem uma clínica estruturada, com despesas operacionais relevantes, a tendência é de menor impacto

Isso porque esses custos passam a gerar crédito de IBS e CBS, reduzindo a carga efetiva.

Além disso, o setor de saúde deve ter redução de base de cálculo, o que também suaviza a alíquota.

Agora, quem trabalha como PJ individual, emitindo nota para plantões ou atendendo poucos contratos, provavelmente vai sentir um aumento.

Nesse caso, quase não há despesas que gerem crédito e o imposto destacado na nota pode representar uma perda de margem se o valor cobrado continuar o mesmo.

Como a reforma tributária afeta médicos que estão no Simples Nacional?

O Simples Nacional vai continuar existindo, mas com duas possibilidades.

Você vai poder manter o modelo atual, com todos os tributos dentro do DAS, ou optar pelo chamado “Simples por fora” (ou Simples Híbrido), que recolhe IBS e CBS separadamente.

O Simples por fora vai ser vantajoso para quem atua com hospitais e clínicas que precisam de crédito tributário.

Essas empresas vão começar a priorizar prestadores que gerem crédito.

E o Simples tradicional, como funciona hoje, não gera crédito para o tomador do serviço.

O híbrido resolve isso:

  • IRPJ, CSLL e CPP continuam dentro do DAS;
  • IBS e CBS passam a ser pagos fora, gerando crédito para quem contrata você.

Com isso, dá para continuar no Simples e ainda manter competitividade comercial nos contratos B2B.

Já quem atende apenas pacientes pessoa física ou convênios, sem exigência de crédito, pode continuar no Simples tradicional sem problema.

Quais despesas médicas vão poder gerar crédito e reduzir o imposto no novo modelo?

O novo sistema traz o princípio da não cumulatividade plena, o que significa que tudo o que você gasta diretamente com sua atividade pode gerar crédito.

O crédito reduz o valor do imposto a pagar, mas ele só funciona quando há despesas formalmente registradas e ligadas à operação.

Veja o que tende a gerar crédito no dia a dia:

  • Clínicas médicas: aluguel do espaço, energia, limpeza, equipamentos, softwares, materiais hospitalares, serviços terceirizados, telefonia e manutenção.
  • Médicos PJ individuais: o aproveitamento é bem menor, normalmente limitado à contabilidade e a alguns custos administrativos.

Por isso, quanto mais estruturada for a operação, maior será a vantagem tributária.

Clínicas que mantêm despesas documentadas vão pagar menos. Já quem atua sozinho, sem custo dedutível, vai precisar revisar o regime e a precificação para equilibrar as contas.

O segredo é ter controle contábil real e organizar notas, contratos e comprovantes. 

Só assim sua contabilidade consegue mapear os créditos e reduzir de forma legítima o imposto a recolher.

O que muda na emissão das notas fiscais dos médicos com a reforma tributária?

A partir da reforma, passa a existir um padrão nacional da NFS-e, válido para todos os municípios.

Isso acaba com as diferenças de formato e regras entre cidades, o que deve simplificar bastante a emissão.

Com o tempo, o sistema também vai permitir o split payment, ou seja, a divisão automática do pagamento entre o médico e o fisco, mas essa parte virá de forma gradual.

O que acontece com as sociedades médicas que pagam ISS fixo por profissional?

O ISS fixo por profissional vai deixar de existir.

Esse modelo, comum em sociedades uniprofissionais, será substituído pelo IBS, que segue a lógica do imposto sobre o valor do serviço e não mais por cabeça.

Isso significa que o cálculo deixa de ser fixo e passa a considerar o faturamento total da sociedade.

Para clínicas pequenas, o impacto pode ser relevante; para estruturas maiores, pode haver compensação por meio dos créditos de IBS/CBS.

O ponto de atenção é revisar o contrato social e o enquadramento tributário antes da virada de sistema.

Em muitos casos, será preciso rever a forma de distribuição de lucros e de retenção de impostos, para evitar surpresas quando o ISS deixar de existir.

O que o médico precisa fazer agora para se preparar para a reforma tributária?

O primeiro movimento é procurar uma contabilidade que realmente entenda o setor médico.

Como vimos, com o novo sistema, tudo o que envolve nota, regime e contrato passa a ter impacto direto na rentabilidade do consultório.

Quem atua com hospitais vai precisar reavaliar o regime tributário.

Quem tem clínica deve revisar preços e contratos.

Quem é PJ individual vai precisar entender se o Simples por fora faz sentido no seu caso.

Cada cenário exige cálculo, comparação e estratégia e isso só um contador especializado consegue entregar.

O Assecon acompanha de perto a aplicação da reforma e já está orientando médicos e clínicas a se ajustar antes de 2026.

Fale com um especialista na área da saúde e veja como reorganizar seus números agora, com base na realidade da sua operação, para não perder margem quando as novas regras começarem a valer.

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Carlos Cintra

Carlos Cintra é contador (CRC PR-037392/O-7) e fundador do Assecon Contabilidade, empresa com mais de 30 anos de experiência no mercado de Maringá–PR. Especialista em Gestão Empresarial com ênfase em Recursos Humanos, atua diretamente na construção de soluções contábeis e estratégicas que ajudam empresários a reduzirem custos, otimizarem sua equipe e tomarem decisões mais seguras para o crescimento dos negócios.
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Respostas de 4

  1. Achei o artigo bem completo sobre a reforma tributária pra médicos e clínicos. A leitura mostra como o fluxo de caixa muda com o split payment e como é crucial revisar contratos e precificação. Em Suplery a gente entende que gestão integrada facilita isso: por exemplo, o sistema oferece crédito tributário e um dashboard único pra controlar faturamento, impostos e estoque sem sofrimento (benefícios: crédito para clientes e plataforma única). Se você atende clínicas, spas ou estúdios de bem-estar, vale considerar a adoção de soluções que otimizam processos e reduzem atrito financeiro. Falo como quem já viu o impacto real de uma gestão bem alinhada: Suplery pode ser esse aliado estratégico, sempre buscando eficiência. Quer saber mais? Fale com a gente para entender como aplicar no seu negócio.

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