Contabilidade para Área da Saúde

Simples Nacional para médicos: como funciona e quando faz sentido optar

O Simples Nacional para médicos costuma ser a melhor opção quando você está começando sua empresa e até chegar a uma determinada faixa de faturamento. 

O imposto que você vai pagar como médico no Simples depende de diversos fatores, como a faixa de faturamento, o ritmo de expansão e até mesmo a folha de pagamento.

O Assecon é um Escritório de Contabilidade para Área da Saúde e vamos mostrar para você como funciona o Simples Nacional e quando este regime costuma ser a melhor opção.

O que é o Simples Nacional e como ele funciona para médicos?

No Simples Nacional, os tributos da empresa são recolhidos por meio de uma única guia mensal, o DAS, calculada sobre o faturamento bruto. 

Esse valor não é fixo e depende da receita acumulada em 12 meses e do anexo de enquadramento aplicado à atividade (Anexo III ou Anexo V).

Cada anexo possui faixas de faturamento, alíquotas nominais e parcelas a deduzir. 

Esses três elementos formam a alíquota efetiva, que é o percentual real aplicado sobre a receita do mês. 

Essa alíquota muda conforme o faturamento cresce e conforme o enquadramento se mantém ou se altera.

Médico pode optar pelo Simples Nacional em qualquer situação?

O médico pode optar pelo Simples Nacional sempre que atua como pessoa jurídica e permanece dentro do limite de faturamento do regime

Do ponto de vista legal, não há grandes restrições para a atividade médica.

O ponto relevante não está na permissão, mas no resultado do enquadramento

Dentro do Simples, o imposto muda conforme o faturamento, a forma de remuneração e a estrutura da empresa, principalmente folha de pagamento e pró-labore.

Esses elementos determinam em qual anexo a receita será tributada e como a alíquota vai evoluir ao longo do tempo. 

Por isso, embora a opção pelo Simples seja possível em praticamente todos os casos, ela precisa ser analisada junto com a realidade da operação para evitar distorções no custo tributário.

Leia mais: É melhor ser médico como pessoa física ou jurídica?

Qual é a alíquota de impostos para médicos no Simples Nacional?

Quando um médico entra no Simples Nacional, o imposto não é definido apenas pelo faturamento. 

O regime avalia como a receita é gerada e qual estrutura sustenta a atividade

Para a atividade médica, os dois anexos que devem ser considerados são o Anexo III e o Anexo V.

Anexo V

No Anexo V, a tributação começa em patamar mais elevado já nas primeiras faixas. 

A alíquota nominal inicial é de 15,5%, aplicada sobre receita anual de até R$ 180 mil. À medida que a receita acumulada cresce, a empresa avança rapidamente de faixa.

Receita bruta em 12 mesesAlíquota nominalParcela a deduzir
Até R$ 180.00015,50%R$ 0
Até R$ 360.00018,00%R$ 4.500
Até R$ 720.00019,50%R$ 9.900
Até R$ 1.800.00020,50%R$ 17.100
Até R$ 3.600.00023,00%R$ 62.100
Até R$ 4.800.00030,50%R$ 540.000

Anexo III

No Anexo III, a alíquota nominal inicial é de 6%, com progressão mais gradual ao longo das faixas. 

Mas, para se beneficiar dessa alíquota significativamente, é preciso usar um recurso conhecido como fator R, que  mede a relação entre a folha de pagamento e o faturamento acumulado em 12 meses

Quando essa proporção atinge 28% ou mais, a atividade médica pode ser tributada pelo Anexo III.

Receita bruta em 12 mesesAlíquota nominalParcela a deduzir
Até R$ 180.0006,00%R$ 0
Até R$ 360.00011,20%R$ 9.360
Até R$ 720.00013,50%R$ 17.640
Até R$ 1.800.00016,00%R$ 35.640
Até R$ 3.600.00021,00%R$ 125.640
Até R$ 4.800.00033,00%R$ 648.000

O que é o Fator R e em quais casos ele reduz o imposto do médico?

O Fator R é a regra do Simples que define se a atividade médica pode ser tributada pelo Anexo III. Ele compara quanto a empresa paga de folha com quanto ela fatura, sempre olhando os últimos 12 meses.

Fator R = folha de pagamento ÷ faturamento (12 meses)

Quando essa relação fica em 28% ou mais, a tributação pode ir para o Anexo III. Abaixo disso, a receita fica no Anexo V.

Por isso, é tão importante ter o apoio de uma contabilidade especializada em médicos, pois o Fator R depende do controle técnico mensal da folha de pagamento, do pró-labore e do faturamento acumulado (RBT12)

Isso exige apuração correta, registros consistentes e acompanhamento mensal para que o índice não oscile ao longo do ano. 

Qual o limite de faturamento para médicos no Simples Nacional?

O limite anual do Simples Nacional é de R$ 4,8 milhões, considerando a receita bruta acumulada no ano-calendário. 

Porém, você não deve esperar bater o limite para estudar a migração para outro regime tributário.

Porque, em muitos casos, o Simples começa a ficar caro antes de chegar nesse teto, conforme você sobe de faixa e a alíquota efetiva aumenta.

Consultório com faturamento superior a R$ 30 mil por mês compensa no Simples Nacional?

Um faturamento mensal de R$ 30 mil equivale a R$ 360 mil por ano, faixa em que o Simples começa a mostrar diferenças claras entre os anexos.

Nesse nível de receita, a empresa já sai da primeira faixa e passa a sentir o efeito da progressão da tabela. 

A partir daí, o que define se o Simples continua eficiente é a estrutura que acompanha essa receita.

Consultórios com esse volume, sem equipe ou com pró-labore muito baixo, tendem a permanecer no Anexo V e veem a alíquota efetiva subir mais rápido. 

Já operações que têm folha compatível com a receita mantêm o enquadramento no Anexo III e preservam uma carga mais ajustada.

Esse é o ponto em que é necessária uma análise mais detalhada para saber se o Simples Nacional para médicos, de fato, é a melhor opção.

Simulação: quanto um médico paga de imposto no Simples Nacional?

Vamos simular, por exemplo, quanto um médico que fature R$ 30 mil por mês ou R$ 60 mil pagaria no Anexo V e no Anexo III do Simples Nacional.

Essa simulação serve para comparar o tamanho da alíquota quando o médico fica no Anexo V e quando consegue ser tributado pelo Anexo III

Para a comparação ser fiel ao Simples, o cálculo considera o cenário mais comum de empresa já funcionando de forma estável, com RBT12 cheio, ou seja, a receita bruta acumulada dos últimos 12 meses já reflete o faturamento atual.

Cenário 1

Faturamento: R$ 30.000,00 por mês (R$ 360.000,00 por ano)

Esse cenário representa um consultório ou médico com receita já regular, em que a empresa entra na faixa em que a diferença entre os anexos aparece com clareza no caixa.

Anexo V:

Alíquota efetiva aproximada: 16,75%

Imposto mensal estimado: R$ 5.025,00

Anexo III:

Alíquota efetiva aproximada: 8,6%

Imposto mensal estimado: R$ 2.580,00

A diferença mensal já se torna relevante nesse patamar e tende a se acumular ao longo do ano.

Cenário 2

Faturamento: R$ 60.000,00 por mês (R$ 720.000,00 por ano)

Esse cenário representa uma operação mais consolidada, com receita maior e avanço para faixas acima. 

O efeito do anexo continua grande e costuma ficar mais visível conforme a empresa cresce.

Anexo V

Alíquota efetiva aproximada: 18,1%

Imposto mensal estimado: R$ 10.875,00

Anexo III

Alíquota efetiva aproximada: 11,0%

Imposto mensal estimado: R$ 6.630,00

Esses números mostram o que importa para decisão: com o mesmo faturamento, o anexo aplicado muda o valor do imposto de forma relevante, e essa diferença se repete mês após mês.

Quando o Simples Nacional deixa de ser vantajoso para médicos?

O Simples começa a perder eficiência quando a estrutura não acompanha o crescimento da receita ou quando a empresa permanece por longos períodos em faixas mais altas sem revisão do enquadramento.

Outro ponto de atenção surge a partir de R$ 3,6 milhões de faturamento anual, quando entram regras operacionais que podem exigir recolhimento de ISS fora do DAS em determinados cenários. 

Esse movimento aumenta a complexidade e reduz parte do ganho operacional do regime.

Nesse estágio, a pergunta deixa de ser “o Simples é permitido?” e passa a ser “o Simples ainda é o regime mais eficiente para essa operação?”.

Simples Nacional ou Lucro Presumido: como médicos devem comparar os dois regimes?

A comparação precisa ser feita com base em impacto mensal no caixa, previsibilidade da carga tributária e comportamento do imposto conforme o faturamento cresce.

No Lucro Presumido, as alíquotas são mais estáveis e a lógica de cálculo é diferente. 

Em operações que permanecem no Anexo V por muito tempo ou que alcançam patamares mais altos de faturamento, essa estabilidade começa a pesar a favor do Presumido.

Mas a escolha só pode ser feita com 100% de certeza após a análise de uma Contabilidade especializada na área da saúde.

Como a reforma tributária afeta o Simples Nacional para médicos?

Com a transição para o IBS e a CBS, prevista a partir de 2027, o Simples Nacional permanece em vigor, mas passa a conviver com novas regras de apuração e opções de recolhimento.

Para médicos que atendem empresas ou operam em cadeias que valorizam crédito tributário, essas mudanças podem influenciar precificação, modelo de contratação e organização fiscal.

O impacto da reforma tributária para médicos não é imediato, mas reforça a necessidade de decisões bem estruturadas em 2026, principalmente para quem está em fase de crescimento.

Como o Assecon pode ajudar na decisão pelo Simples Nacional

Decidir pelo Simples Nacional ,como vimos, não é algo tão Simples e deve ser feito com acompanhamento especializado para você não pagar impostos a mais.

No Assecon, atendemos médicos e profissionais da saúde há mais de 30 anos e contamos com uma equipe sênior experiente para garantir que você pagará sempre a menor tributação.

Oferecemos também o serviço de BPO Financeiro para médicos, para que você possa terceirizar seu financeiro e se concentrar na sua atividade principal.

Para saber mais, entre em contato com nossa equipe e agende uma reunião de diagnóstico. 

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Carlos Cintra

Carlos Cintra é contador (CRC PR-037392/O-7) e fundador do Assecon Contabilidade, empresa com mais de 30 anos de experiência no mercado de Maringá–PR. Especialista em Gestão Empresarial com ênfase em Recursos Humanos, atua diretamente na construção de soluções contábeis e estratégicas que ajudam empresários a reduzirem custos, otimizarem sua equipe e tomarem decisões mais seguras para o crescimento dos negócios.
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