Contabilidade para Área da Saúde

Reforma tributária para clínicas médicas: o que muda e o que fazer agora

A reforma tributária para clínicas médicas já começou. 

Desde 2026, o sistema tributário brasileiro entrou em transição e, até 2033, a forma como sua clínica paga impostos vai mudar estruturalmente.

O problema é que há muita informação circulando, parte desatualizada, parte técnica demais para quem precisa tomar decisões práticas de gestão.

O Assecon é um escritório de Contabilidade especializado na área da saúde e vamos mostrar o que realmente muda, quando cada coisa entra em vigor e o que sua clínica precisa fazer antes que as mudanças afetem o caixa.

O que são IBS e CBS e como eles substituem os impostos que sua clínica paga hoje?

A LC 214/2025 substitui ISS, PIS e COFINS por dois novos tributos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), federal, e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), estadual e municipal.

A diferença principal está na não cumulatividade. 

No modelo atual, cada tributo incide sobre o faturamento bruto, sem possibilidade de abatimento. 

No novo modelo, sua clínica pode descontar do imposto a pagar o crédito gerado nas compras e contratações tributadas.

O impacto depende de quanto da sua estrutura de custos gera esse crédito. E é aí que está o ponto mais relevante para o setor médico.

Leia mais: Impactos da reforma tributária para médicos

A reforma tributária vai fazer minha clínica pagar mais imposto?

Não necessariamente. Mas a resposta depende da estrutura de cada clínica.

A LC 214/2025 garantiu redução de 60% nas alíquotas de IBS e CBS para serviços de saúde. 

Se a alíquota padrão nacional ficar em torno de 28%, clínicas médicas devem pagar algo próximo de 11%, um patamar parecido com o atual.

O problema é que o principal custo de uma clínica é folha de pagamento, e folha não gera crédito no novo sistema.

 Clínicas com custo concentrado em pessoal têm poucos créditos para abater, o que pode pressionar a margem mesmo com a alíquota reduzida.

Para saber o impacto real no seu caso, é preciso simulação com os números da operação.

O que é split payment e quando ele vai afetar o caixa da sua clínica?

Hoje, o valor do imposto entra no seu caixa junto com o pagamento do paciente e é recolhido depois, na guia mensal. 

Com o split payment, o imposto é retido automaticamente no momento da transação e vai direto para o fisco, antes de o dinheiro chegar à sua conta.

O split payment está previsto para iniciar em 2027, de forma facultativa, começando por transações entre empresas. 

O governo ainda não tem datas para as fases seguintes.

O ponto de atenção é o fluxo de caixa. Clínicas que usam esse intervalo para cobrir despesas mensais precisam se preparar antes de 2027, não depois.

Clínicas no Simples Nacional precisam se preocupar com a reforma?

O Simples Nacional continua existindo, mas o cenário competitivo muda.

Clínicas no Simples, em regra, não vão gerar crédito de IBS e CBS para quem as contrata. 

Hospitais e operadoras no Lucro Presumido ou Real podem passar a preferir prestadores fora do Simples, porque só assim aproveitam esses créditos.

Para clínicas que atendem majoritariamente pacientes particulares, o impacto é menor. 

Para quem tem relação contratual com operadoras ou hospitais, a análise é mais urgente.

Uma alternativa é o Simples Híbrido, que permite recolher IBS e CBS separadamente e gerar crédito para os contratantes. 

Se compensa depende do perfil de cada operação.

Leia mais: Como funciona o Simples Nacional para médicos

Clínicas no Lucro Presumido: o que realmente muda com a reforma?

IRPJ e CSLL não mudam. Esses dois tributos sobre o resultado continuam com as mesmas bases de cálculo e alíquotas.

O que muda são os tributos sobre consumo: PIS e COFINS viram CBS, ISS vira IBS. 

A lógica passa a ser de não cumulatividade, e clínicas com custo majoritário em folha saem em desvantagem nessa conta.

O Lucro Presumido para clínicas médicas pode continuar sendo o regime mais adequado, mas precisa ser confirmado com simulação antes que a transição avance.

A equiparação hospitalar ainda existe depois da reforma tributária para clínicas médicas?

Sim. A reforma não tocou em IRPJ e CSLL, que são exatamente os tributos sobre os quais a equiparação age.

O benefício reduz a base de cálculo do IRPJ de 32% para 8% e da CSLL de 32% para 12%, para clínicas constituídas como Sociedade Empresária, no Lucro Presumido e que atendam às normas da ANVISA.

À medida que o peso do ISS diminui com a reforma, o ganho sobre IRPJ e CSLL representa uma fatia maior da equação tributária. 

Clínicas que nunca avaliaram esse caminho têm um benefício relevante para explorar.

Leia mais: Como funciona a equiparação hospitalar para clínicas médicas

Quando cada mudança da reforma entra em vigor para clínicas médicas?

  • 2026, em curso: IBS e CBS aparecem nas notas em caráter de teste, com alíquotas simbólicas. Nenhum imposto novo está sendo cobrado ainda. É o período de adaptação de sistemas e processos.
  • 2027: Início do split payment, facultativo e restrito a B2B. Cobrança mais efetiva de IBS e CBS. Quem não tiver reavaliado o regime tributário começa a sentir o impacto.
  • 2028 a 2033: Aumento gradual das alíquotas de IBS e CBS com redução proporcional de PIS/COFINS e ISS. Transição completa ao final do período.

O que minha clínica precisa fazer antes que as mudanças entrem em vigor?

  • Simular o impacto da nova tributação com os dados reais da operação, faturamento, custos e regime atual.
  • Revisar o regime tributário. O que era adequado até 2026 pode não ser a melhor opção para 2027 em diante.
  • Verificar elegibilidade à equiparação hospitalar, se sua clínica realiza procedimentos cirúrgicos, exames complexos ou serviços de auxílio diagnóstico.
  • Preparar o caixa para o split payment. O intervalo entre receber e recolher o imposto vai acabar em 2027.
  • Revisar contratos e precificação com operadoras e hospitais, considerando a nova carga tributária.

Como o Assecon pode ajudar sua clínica nessa transição da reforma tributária

O impacto da reforma depende do porte da clínica, do regime tributário atual, da estrutura de custos e da relação com operadoras e hospitais. 

O Assecon atende médicos e clínicas há mais de 30 anos e acompanha de perto a aplicação da reforma no setor de saúde. 

Nossa equipe faz a simulação com os dados reais da sua operação e aponta o caminho mais eficiente antes que as mudanças entrem em vigor.

Entre em contato e agende uma conversa com um especialista.

Picture of Carlos Cintra

Carlos Cintra

Carlos Cintra é contador (CRC PR-037392/O-7) e fundador do Assecon Contabilidade, empresa com mais de 30 anos de experiência no mercado de Maringá–PR. Especialista em Gestão Empresarial com ênfase em Recursos Humanos, atua diretamente na construção de soluções contábeis e estratégicas que ajudam empresários a reduzirem custos, otimizarem sua equipe e tomarem decisões mais seguras para o crescimento dos negócios.
Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha os campos abaixo para iniciar a conversa no Whatsapp

Preencha os campos abaixo para iniciar a conversa no Whatsapp